terça-feira, 18 de agosto de 2009

Panificadora São José

No início dos anos 60 do século XX, há muito as pessoas da cidade já haviam ultrapassado as fronteiras dos domínios domésticos em busca de novas formas e novos espaços onde pudessem estabelecer relações de sociabilidade fora dos “círculos restritos de convivência”.
A Panificadora São José, em Catalão-GO, foi um empreendimento familiar liderado por Fiore Nicoletti auxiliado por seus filhos Irineu, Mário e, mais tarde, por Wanderley. No início de suas atividades, no início da década de 1950, apenas a produção e o comércio de pão e a venda de produtos de conveniência como laticínios, quitandas, enlatados, defumados, etc., figuravam no cardápio da panificadora. Todavia, pouco tempo depois, resolveu-se diversificar o empreendimento e com a inclusão de cerveja, choppe e companhia, inaugurou-se o Bar Faixa Azul. De acordo com Paulo Abrão, um assíduo freqüentador do lugar, já em 1958 o Bar Faixa Azul funcionava pois “comemoramos a conquista da Copa do Mundo de 1958 lá na panificadora”.
Além do comércio de pão e congêneres, também servia de local onde se podia fazer refeições rápidas à base de pão com mortadela, presunto e mussarela, salgados, e quitandas diversas e sorvete de fabricação própria No período que corresponde ao hoje tradicional happy hour, as pessoas, em seu retorno do trabalho para casa, os freqüentadores mais assíduos, se acomodavam nas mesas do salão para tomarem chope ou cerveja e realizar ali, o bate papo entre amigos, colegas de trabalho e de profissão, parentes e conhecidos. Foi um local onde os acontecimentos cotidianos de todas as esferas desfilavam de boca em boca, fosse sob a forma de comentários mais elaborados, fosse sob a forma de achismos infundados, fosse sob a forma de anedotas. Do cardápio dos temas de que se serviam os fregueses, evidentemente, constavam as políticas nacional, estadual e municipal; o futebol, muito mais o do Rio de Janeiro do que de outras praças, provocava apaixonados debates como também motivava viagens à ex-capital política do país, principalmente em final de campeonato.
A São José veio a ser muito mais que um local de alimentação e sociabilidade, foi um local de convergência e também de difusão de idéias, de saberes e de conhecimentos. Local de divergências mas também de abrandamento de antagonismos de toda sorte onde o privado e o público, o rico e o pobre, a elite e o popular se esbarravam cotidianamente, fazendo suscitar uma nova ordem no convívio em grupo, no estabelecer de novas relações entre categorias sociais antagônicas. Enfim, um lugar freqüentado por pessoas anônimas e ilustres que foram e são personagens da história, que fizeram a história de Catalão na sua diversidade e que são a própria história da cidade e de sua multiplicidade de experiências. (Texto extraído de minha monografia de conclusão do curso de História do CAC / UFG que teve como tema, exatamente, a Panificadora São José)

A seguir, uma sequência de fotografias que mostram a Panificadora em plena atividade.

O Imigrante italiano, Sr. Fioravante Nicoletti


Irineu Nicoletti, Betinho e Paulinho e os veículos de tração animal utilizados na entrega de pães.

Os padeiros da Panificadora São José: Torrado, Betinho, Paulinho e...?








Um dia na Panificadora São José: Políticos, comerciantes, pedreiros, médicos, estudantes, funcionários públicos, política, futebol, palitinho, pastel, cerveja, chope e muita alegria. A Panificadora São José funcionou onde hoje é o Banco Bradesco.


2 comentários:

  1. Reconheci meu tio Javaé sendo abraçado. Parabéns pelo blog. Danilo

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  2. Fiquei feliz de ver meu padrinho betim : zizinho

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