segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Para o México

Em 1946 João Netto de Campos protagonizou um dos episódios mais importante da história de Catalão, inclusive com repercussão internacional. No porto de Santos ele embarcou uma boiada zebú com cerca de 350 cabeças rumo ao México, onde pretendia abrir uma nova fronteira comercial para o gado brasileiro. Todavia, a empreitada esbarrou em interesses maiores e transformou-se numa batalha diplomática. A seguir um depoimento de João Netto sobre a viagem e algumas fotografias que registraram sua estada no México.

"1946 foi uma das épocas mais tumultuadas de minha vida, principalmente no que se refere ao entrevero causado por uma exportação de gado zebu que fiz ao México. Embarquei o gado no navio, em Santos, e após trinta dias conseguimos chegar, só que com a nossa chegada, criaram uma situação bastante dificultosa, provocada pelos Estados Unidos, sendo impedido o desembarque do gado. Com muita dificuldade, depois de muita luta, conseguimos autorização para que o gado desembarcasse e fosse confinado numa ilha num sistema de quarentena. Só que a quarentena prolongou-se por cinco meses. Tudo isso por causa da pressão americana, que não queria concorrência do gado brasileiro no seu mercado de reprodutores. Lutamos muito, gastamos muito dinheiro, até que o gado foi baixado em terra, mas, infelizmente, nessa época veio a febre aftosa. Aí começou outra luta. Em 15 dias, a tal febre aftosa estava a 400km de Santa Cruz, local onde estava o gado brasileiro. Foi uma batalha dura de vencer. Vivíamos uma apreensão terrível. Só para ter uma noção, teve um dia que tinha 14 médicos, entre eles, americanos, alemães, ingleses e argentinos para examinar o gado brasileiro, mas graças a Deus conseguimos provar a eles que, realmente, o gado deles é que estava contaminado, e não o nosso como haviam dito. Em 19 de dezembro de 1946, fui até o palácio para fazer um grande contrato para fornecimento de gado brasileiro ao México. Ao meu lado, me auxiliando bastante, estava o Senador Carlos Serrano que conversou com o presidente mexicano que disse a seguinte frase: “está provado que a aftosa que está no México é brasileira”. Saí do palácio e fui imediatamente para o hotel fazer as malas e, junto com minha esposa fomos para o aeroporto onde pegaríamos o vôo da zero hora rumo a Argentina, mas para nossa infelicidade fomos barrados pela polícia aérea porque não tínhamos dado visto nos passaportes. Tivemos que ficar lá enfrentando as perseguições, mesmo porque o mexicano, apesar de seu cavalheirismo e hospitalidade é muito vingativo. Mas graças a Deus e a uma boa recompensa à polícia aérea, conseguimos embarcar num vôo para o Panamá, era a única saída. Ficamos mais ou menos quatro dias no Panamá esperando passagem de avião para o Brasil. Ao chegarmos em Catalão, fomos recebidos com calorosa manifestação, mesmo porque o episódio do México foi bastante divulgado na imprensa nacional e estrangeira. (João Netto de Campos, depoimento ao Jornal A Voz do Sudeste/1988)

Um comentário:

  1. Gente....mas você precisa divulgar isso aqui mais, que riqueza!!!Parabens!!!!!

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