quarta-feira, 28 de julho de 2010

Gente da Nossa Terra (5)


João Margon nasceu em 21 de maio de 1874 na cidade austríaca de Bare, filho de Jacob Margon e Tereza Margon. Chegou ao Brasil com 21 anos, fugindo do serviço militar. Desceu no porto de Santos e foi para Campinas onde trabalhou no curtume da família Penteado. Trabalhou uma temporada na construção de estrada de ferro no Rio Grande do sul, retornando a Campinas onde trabalhou no curtume de Felipe Cantudio. Em 1901 casou-se com Tereza Muller e tiveram Leopoldo, João, Matilde e Jacob.
De Campinas foi para Estrela do Sul onde conseguiu trabalho no curtume de Oswaldo Guimarães. Nessa época, veio ao mundo mais um rebento, uma menina de nome Amália.
Em 1910 mudou-se para Catalão e Amália veio a falecer. Contudo outros cinco filhos nasceram. São eles: Max, Aida, Maria, Mário e Zequinha.
Em solo catalano, João Margon adquiriu terreno onde montou uma olaria e com os tijolos ali produzidos construiu um curtume, ao lado do curtume de Antônio Kotinik o qual, mais tarde veio a ser adquirido por João Margon.
Seguindo o costume europeu, todos na família tinham seus afazeres na empresa familiar que crescia e se diversificava. Assim foi que do curtume originaram-se uma selaria e uma sapataria.
Em 1925 adquiriu a charqueada de João Vaz, que ficava na margem direita do Ribeirão Pirapitinga e onde abatia cerca de 100 rezes por dia cuja carne, transformada em charque, era comercializada no Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. O couro era curtido ali mesmo e parte dele abastecia a sapataria e selaria e o restante era vendido em Minas e São Paulo. Em 1926 os resultados financeiros dos empreendimentos de João Margon foram os piores possíveis o que levou o empresário a pedir concordata no ano seguinte, como forma de quitar, em 2 anos, 50% das dívidas contraídas. Vencido o prazo, todas as dívidas foram pagas com a respectiva carga de juros, uma dívida de 750 contos de réis, computados os juros, elevou-se para 1000 contos de réis.
Vencido aquele obstáculo, retomou suas atividades, importou novos equipamentos da Alemanha e passou a produzir derivados de couro com grande aceitação no mercado.
Em 1930 adquiriu de Salviano da Costa, a fazenda Córrego do Almoço ampliando ainda mais suas atividades. Em 1942 fechou a selaria e a sapataria e dedicou-se ao curtume e charqueada até sua morte em 13 de fevereiro de 1951.
Em seu tempo, João Margon foi considerado um dos maiores industriais do Brasil Central, chegou a empregar 200 funcionário distribuídos na selaria, na sapataria e na charqueada chegando, inclusive, a construir uma pequena usina geradora de eletricidade para atender a sua própria demanda e de sua residência, situada na Rua Carajás, onde residiu por 44 anos.
Ali mantinha um pomar e uma horta diversificados a ponto de produzir vinho e vinagre com as uvas que cultivava.
Adotou Catalão como sua terra e quando alguém lhe perguntava a nacionalidade, ele respondia: “sou goiano de Catalão”.

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