domingo, 31 de outubro de 2010

Gente da nossa terra (13)



Às vésperas do lançamento do romance "Paisagem com Cavalo" (quarta, 3 de novembro no Shopping Flamboyant, em Goiânia) o catalano Halley Margon Vaz Jr. concedeu estrevista a Carlos Willian Leite e Euler de França Belém para o Jornal Opção da qual publicamos alguns trechos. Para ler a entrevista na íntegra acessem o link abaixo

www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/raduan-nassar-e-o-maior-escritor-brasileiro-vivo

Arquiteto e escritor, Halley Margon V. Jr., de 54 anos, nasceu em Catalão, Goiás. Morou em Londres e há duas décadas mora no Rio de Janeiro. Admirador do diretor de cinema Stanley Kubrick e leitor de Faulkner, James Joyce, Guimarães Rosa e Dashiell Hammett, Halley Margon desponta como um dos nomes promissores da literatura brasileira. Seu livro de estreia, “Paisagem Com Cavalo” (Editora 7 Letras), recebeu menção honrosa do Prêmio Sesc de 2009, o mais importante prêmio literário, para livros inéditos, do Brasil. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, concedida por e-mail, fala sobre livros, filmes, crítica literária, editoras, arquitetura, jornalismo cultural, sua opção ideológica pela esquerda, e sobre seu romance, que será lançado em Goiânia, na quarta-feira, 3, às 19 horas, na Livraria Saraiva, no Shopping Flamboyant.

A prosa de Halley Margon V. Jr tem um quê de literatura inglesa ou, quem sabe, irlandesa — tem pouco a ver com a literatura brasileira, pelo menos a tradicional, e não é mais um filho, ao contrário do que alguns podem pensar, de Rubem Fonseca. Leitor infatigável dos autores que compuseram a literatura moderna — além de apaixonado por música erudita — e escritor obsessivo, sem a pressa do cometa, Halley faz uma literatura “sua”, malgrado as indefectíveis influências, como Beckett (com aquela sua zona de indefinição), Faulkner e Joyce. Ele escolheu um caminho e este não tem a ver com repetir o que já foi dito. Halley veio para ficar e tem outros romances no forno.

Como caracteriza “Paisagem Com Cavalo”: é um romance moderno, na linha de Faulkner e Joyce, mas que também bebe em Raymond Chandler e Dashiell Hammett? Ou tem pouco a ver?

Não vejo como seria possível pensar a literatura sem ter passado por nomes como estes. Gosto de Faulkner, talvez mais do que de Joyce, ainda que não tenha o mesmo brilho atrativo, a mesma capacidade de influência. “Ulisses” é provavelmente o livro mais “solto” que li na vida. Ele respira o tempo todo. E nos faz respirar. Neste sentido, é extremamente prazeroso. Sobre Hammett [autor de “O Falcão Maltês”, clássico do romance policial], gostaria de contar uma historieta deliciosa. Dizem que, no período macarthista, o próprio senador McCarthy teria lhe interrogado: “No meu lugar, permitiria o senhor que seus livros estivessem nas bibliotecas americanas?” Ao que Hammett teria respondido: “Eu, se fosse o senhor, não permitiria a existência de bibliotecas!” Chandler, li muito pouco.

Você diz que escrever é melhor do que lançar e cuidar do livro depois que é publicado. Por quê?

Porque o trabalho está no ato de escrever, o que vem depois, a circulação, pode ser importante para os outros. Quando essa fase se inicia, para quem escreve sobra só a vaidade. Pode até ser bom, mas o gozo mesmo está é no trabalho, no ato da escrita.

Como vai ser o lançamento? O livro está vendendo?

O lançamento vai ser bacana, porque está sendo feito por pessoas queridas, que estão me dando o tempo e o carinho delas, e porque vou revê-las e a tantos outros queridos amigos, como o escritor Antônio José de Moura, que não encontro faz tempo. Vendeu a primeira edição — duzentos exemplares. Os livros que estão vindo para Goiânia já são da segunda leva.

Você é goiano de Catalão. Mora no Rio há quantos anos? Como foi morar na Inglaterra?


Eu nasci em Catalão, minha família mora ainda toda lá e eu a visito com frequência [o escritor é filho do ex-deputado federal Haley Margon Vaz]. Estou no Rio desde 1989, se não me engano. A ida para a Inglaterra foi a última ou penúltima etapa de uma transição dolorosa que vai da tentativa de mudar o mundo até o reconhecimento de que o mal, o capeta, a mercadoria (ou o capitalismo), venceu definitivamente qualquer projeto que não tenha como cerne a própria lógica exclusivista da forma mercadoria. A partir da volta da Inglaterra, eu me voltei pra dentro, tive minha filha [Lívia] e comecei a escrever livros. Mas tenho muita vontade de voltar a Londres, aos bairros pobres do sul da cidade, onde morei. Era para ter ficado mais tempo, mas fui expulso.

Na sua opinião, qual é o maior escritor vivo?

Ah! Continua sendo Shakespeare! [Halley é irônico ao sugerir que, de alguma forma, o escritor inglês está “vivo” e, como quer Harold Bloom, “inventou” o homem moderno].

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