quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Trombas e Formoso

No dia 28 de julho de 2009, o jornal O Popular trazia extensa matéria sobre os entraves envolvendo pequenos agricultores, grileiros de terras e força policial na região de Trombas e Formoso. Sob o título de “Revelações da Luta Armada” a matéria trata, entre outros eventos que marcaram o episódio, do sumiço de personagens ligadas ao movimento camponês, entre eles, José Porfírio (líder do movimento) e de Pedro Paraná, braço direito de José Porfírio.
Por esta época, Mário Mendonça, Filho de João Neto de Campos, então deputado estadual, abraçou a causa dos posseiros que andavam às turras com os poderosos latifundiários e grileiros de terras em Trombas e Formoso. Pretendendo dar ao movimento camponês total publicidade, objetivando sensibilizar as autoridades e a sociedade, Mário foi ter com os pequenos agricultores de Trombas e Formoso e levou consigo um repórter da Revista Manchete que à época era um dos mais influentes meios de comunicação do país.
As fotografias a seguir, registram a estada de Mário Mendonça Netto com os camponeses de Trombas e Formoso.
Deputado Mário Mendonça Netto, o 1º à esquerda, ouve os camponeses de Trombas e Formoso

Aqui ele caminha ladeado pelo líder dos camponeses, José Porfírio (o 3º da esq p/ dir).

Mário juntamente com pequenos agricultores de Trombas e Formoso. O de chapéu e óculos, acredito ser Pedro Paraná, assassinado em 1989.


Momento de descontração: batendo uma bolinha.



Mário, José Porfírio e o repórter da Revista Manchete.
José Porfírio elegeu-se Deputado Estadual na década de 1970, todavia, em uma viagem entre Brasília e Goiânia, entre 1972 e 1973 ele desapareceu e nunca mais foi visto. Acredita-se que tenha sido assasinado nos porões da ditadura pois à época, vivia-se um período dos mais repressivos do governo militar.

Sobre os acontecimentos em Trombas e Formoso, Valter Waladares, militante do Partido Comunista do Brasil e presente aos eventos, depõe:

Os camponeses viviam na região há mais de trinta anos. Com a construção de Brasília e da rodovia BR-153 – a Belém-Brasília – houve uma valorização grande daquelas terras, que antes dos camponeses ali se instalarem eram inóspitas. Então dois conhecidos grileiros da região, o Camapum e o Peroca, resolveram grilar aquelas terras também. Eles montaram todo o grilo e compraram o juiz. Logo após a sentença do juiz, iniciaram-se as intimações para a desocupação das terras. Paralelamente, os grileiros começaram a cobrar uma espécie de “Arrendo” dos camponeses porque, afinal, “eles haviam utilizado uma terra que não era deles durante anos e deveriam pagar por isto”. A ação do grileiros dependia de quem era o camponês: de um deles tomavam toda a produção, de outros eles tomavam a metade. Neste tempo, nós tínhamos alguns companheiros em Uruaçu (GO), principalmente o José Sobrinho, que era nosso grande apoio. O primeiro a tentar contato foi o Geraldo Tibúrcio, que era de Catalão e já atuava no movimento camponês. Ele foi procurar uma pessoa que tinha uma certa liderança na região, o Zé Firmino, mais ou menos em 1953 [...] Nosso sonho inicial era transformar a luta dos posseiros do Formoso no início da luta armada pela libertação nacional. Se em relação ao nível da consciência nós não tenhamos conseguido dar um passo à frente, do ponto de vista da influência tivemos um trabalho muito importante. No Formoso existia o problema da posse da terra e da luta contra policiais e jagunços. Mas a luta contra o latifúndio, como um todo, acabou por não ser tocada. O surgimento da luta e a vitória dos camponeses do Formoso, a conformação da associação praticamente como o órgão dirigente do município, tudo isso repercutiu em todas as cidades do estado. (Valter Waladares, entrevista a Ana Lúcia Nunes)



7 comentários:

  1. Parabens pela qualidade das informações, preciso saber o nome do autor dessas fotos sobre Trombas e Formoso. Temos aqui um trabalho sobre essa guerilha e gostaria de usar as fotos, mas preciso do crédito
    obrigada
    sinvaline

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  2. Sivaline, boa noite.
    Antes de mais nada, obrigado por acessar o
    NOSSOCATALAO. Bem, a respeito das fotografias, acredito que o autor delas seja o fotógrafo que aparece em uma delas, ele fazia parte da equipe da revista "O Cruzeiro".
    Infelizmente não tenho a informação do nome dela. Quem poderia dizer é meu tio, o ex-deputado Mário de Mendonça Netto que à época esteve presente aos acontecimentos e foi ele quem levou o fotógrafo até Trombas e Formoso. Todavia, ele faleceu ano passado e estas fotografias pertenciam a ele..

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  3. Parabéns pelas as fotos do meu avô.
    Onde consegiu poderia ta me enviando elas.Desde já agradeço.OBRIGADA alianneporfirio@hotmail.com

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  4. eu conheço muito trombas euma cidade muito boa minha bisa vo fazia parte da turma do jose porfirio

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  5. Sylvim, parabéns.. nem eu sabia da metade de coisas que tem ai do meu avô! Ele foi um homem bom! Obrigada. Camila Netto Rezende

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  6. Boa tarde, pessoal!
    Meu nome é Priscila Cândido, sou graduando do curso de História da UNESP-campus de Franca. Gostaria de saber se alguém teria um documento que trate mais especificamente da batalha de Tataíra. Estou estudando esse movimento guerrilho tão importante para a nossa História, mas estou com dificuldade de encontrar.

    Desde já agradeço a atenção de vocês!
    Ah, e gostei bastante do seu trambalho, parabéns!!

    Att.,
    Priscila

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    1. Boa tarde Priscilla.
      Veja bem, Aqui em Catalão há o Campus da Universidade Federal de Goiás e tem o curso de História. Um dos professores do curso, Cláudio Maia, estudou a fundo o conflito de Trombas e Formoso, inclusive sua tese de doutorado versou sobre o assunto. Talvez ele possa lhe fornecer alguma informação. O Pabx do Campus é 64 3441 1500 e o telefone da Coordenação de História é 64 3441 1509. Caso não consiga falar nesses números, me retorne que vou tentar obter outro pra vc. Abraço, sylvim

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